O trail dos loucos da Reixida!!!

É realmente de loucos o trail que se faz na Reixida!

Nesta terra simpática, encostada à Serra D´Aire e Candeeiros, a poucos quilómetros de Leiria, erguem-se dois morros – A Maúnça e a Senhora do Monte. Zona privilegiada para os runners da região apanharem empenos com as suas subidas íngremes ( principalmente a famosa subida dos postes! ). No inverno, grupos encontram-se junto a um espaço de culto dos amantes da Natureza, chamado de Fontes. É onde nasce o rio que banha a cidade de Leiria, o rio Lis. A partir das Fontes, vários grupos arrancam, já de noite, pela serra acima, com frio e chuva. O culto dessas noites de trail puro e duro estão cada vez mais concorridas. De frontal na cabeça, mulheres e homens de coragem não falham ao chamamento de mais um desafio. Das 22h00 até muitas vezes perto da meia noite, estas heroínas e heróis aventuram-se na escuridão por mais um momento de liberdade espiritual. No último Inverno assim foi…

Agora com o calor a chegar, os desafios foram outros. Foi neste ambiente natural que, no último fim de semana, se correu os ” Trilhos Loucos da Reixida “. A prova teve umas subidas durinhas. O espírito dos vários grupos que se aglomeraram no ponto de partida era de festa. Já todos sabiam o que os esperava. O dia estava nebuloso, mas fez-se muito quente, durante a prova. A tal subida dos postes foi feita a andar, para não estragar a prestação no resto do percurso. Paisagens tipicamente serranas, trilhos de terra e pedra, que chamavam os atletas para a atenção constante. Os ” galgos ” arrancaram na pole position e deixámos de os ver rapidamente. O resto do grupo vai correndo e aos poucos, com o caminhar dos quilómetros, começámos a ficar cada vez mais isolados. Chegado ao quilometro catorze estou sozinho a correr pela serra acima. Mas avisto um grupo lá à frente. Sinto-me bem, por isso, alargo a passada. Dois quilómetros depois consigo alcançar o grupo e ultrapassá-lo. O ritmo das minhas passadas fazem-me antever uma prova bem sucedida. Começo a descer um monte e acelero a toda a locidade, como gosto de o fazer nas descidas. Depois vem uma zona plana e mais à frente começo a subir. De repente, deixo de ver fitas e começo a olhar em todas as direcções. Ups…estou perdido! Umas vozes lá ao fundo gritam e indicam-me o caminho correcto. Baixo os braços de desalento. Tanto trabalhinho e um erro de atenção, retirou-me o esforço que tinha tido para alcançar o grupo que perseguia e que consegui ultrapassar. Agora, esperam-me quatro quilómetros de castigo. Como é obvio, já não consegui apanhar o grupo em causa. Lutei para não pensar no erro que me tinha tirado, pelo menos uns 7 a 8 minutos. E virei o pensamento para as paisagens. Fui surpreendido por ser ” obrigado ” a entrar num rio e aí renovei energias. O público gritava por nós…e nesse momento, voltei à luta. As pernas voltaram a ganhar forças e acelerei até à meta. Vinte e um quilómetros em duas horas e treze minutos. Mas acima de tudo, foi a Mãe Natureza que me revitalizou já para o  final da prova. Foi o rio que me renovou as energias e me limpou a alma para voltar a guerrear metro após metro. A Reixida terá essa imagem dentro de mim. A entrada revigorante dentro do rio Lis, que me fez ganhar o ânimo e me fez voltar à prova, voltar ao desafio, voltar a aproximar-me dos cheiros e das cores daquela serra mágica que me acompanhou durante pouco mais de duas horas!

Reixida1

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