Filha, és a maior!

Tenho a minha filha a frequentar a escola de desporto que iniciei este mês, no Instituto Politécnico de Leiria. Mais especificamente na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria. Acontece, portanto, que o professor é pai da aluna.

Há 14 anos que dou aulas a crianças dos 3 aos 5 anos de idade. É fantástico quando adoramos o que fazemos, e não há melhor sensação do que olhar para uma criança e percebermos que somos agentes activos do seu crescimento. De que somos responsáveis quando aqueles pequenos seres humanos conseguem superar um e mais outro desafio na sua vida. De que conseguimos dar ferramentas de sobrevivência a crianças para que possam estar mais preparadas para a dureza da vida, no futuro.

Mas nem sempre as coisas correm bem para os pais. Já falei num dos meus artigos sobre a especialização precoce. Pais que exigem às crianças serem adultos em ponto pequeno. Pedem-lhe que saltem degraus na sua ainda breve escalada de aprendizagem. Querem ter campeões em casa, para depois poderem contar aos amigos o quanto a filha ou o filho são bons, quantas medalhas já ganharam! Provavelmente até pensam que os filhos ( quando é esse o caso )são talentosos por causa deles, quando na realidade, até pode não ter nada a ver com os pais. Basta olhar para o caso mais fácil e mediático de exemplificar: Cristiano Ronaldo. O pai era alcoolico e a mãe, coitada, desdobrava-se em trabalho para dar de comida aos 3 filhos. Não me parece que fosse graças aos pais que  CR7 saísse uma vedeta do futebol mundial. Nem me parece que ser vedeta mundial seja a ” salvação ” para a felicidade duma criança. Até pode vir a ser um verdadeiro cabo das tormentas.

Como vamos nós, pais, lutar para ultrapassar esta avalanche de ” role models “, de falso modelos que a sociedade nos debita constantemente para cima, que nos ” obriga ” a esperarmos de tudo dos nossos filhos?

Ser pai é duro, é difÍcil, deixa-nos exaustos. Mas há alguma coisa na vida que nós consigamos alcançar sem dor? Como o Miguel Gonçalves diz:  ” Queres ser empreendedor, certo? Já reparaste como acaba a palavra empreendeDOR? Em dor, amigo. Em dor!!! ”

Quando falo com pais dos meus alunos, é natural que sinta o amor que eles têm pelos filhos. Mas ao longo dos anos venho-me apercebendo que existe uma razão que faz com que os pais cometam o erro recorrente de despejarem as expectativas que têm sobre os ombros das crianças. Essa razão é a EMOÇÃO! É muito difícil uma mãe ou um pai não amarem tanto os seus filhos, que acabem por querer fazer deles aquilo que eles não conseguiram fazer, ou que não conseguiram alcançar na sua vida adulta. E embora hoje haja muita informação sobre este assunto, continuamos todos os dias a ver que num futuro, aquela criança que vai ser um adulto, vai descobrir que não é nada daquilo que os pais lhe mostraram que realmente as concretiza, que realmente as faz feliz.

Pelos vistos temos aqui um dilema. Mas afinal o que devo eu, pai, fazer para que a minha filha não seja empurrada pelas minhas ( falsas )expectativas?

Bom, se calhar, em primeiro lugar, habituarmo-nos a conversar com eles, percebermos quais são as suas motivações, os seus gostos. Sim, mas não são eles pequenos demais para saberem o que querem? Provavelmente… Então o desafio dos pais é não nos cansarmos de lhes mostrar o que existe de bom neste mundo. Apresentarmos-lhes a maior variedade possível de desportos, de espectáculos, de actividades culturais, de paisagens, de livros, de filmes, de pessoas…de mundo. Porque nós, pais, não somos mais do que anfitriões dos nossos filhos. Nós somos aquelas personagens que lhes pegam na mão e lhes apresentam as diversas montras que eles têm à sua disposição neste universo onde elas nasceram.

E garanto-vos uma coisa, nem a minha filha, nem as vossas crianças, muito provavelmente, vão ser aquilo que nós pensamos que elas podem vir a ser! Por isso, como anfitriões deste universo onde ” caímos “, compete-nos fazermos a melhor apresentação possível, para que eles tenham mais caminhos para explorar!

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