BladeRunner – o início

Acreditem que o título deste blogue não tem nada a ver com o filme futurista do realizador Ridley Scott de 1982. Até podia falar do filme e de certa forma encaixá-lo nos assuntos sobre os quais vou falar nos ” próximos episódios ” de Blade Runner – O blogue. Mas desta forma poupo no texto, pois o desafio a que realmente me vou lançar, ou tentar, é o de falar dum dos meus mais recentes vícios. Correr!

E o que é que o tema das corridas pode ter de tão interessante que proporcione aos leitores tudo o que um bloguer deseja, que é o de ter seguidores diários? Acho que pode ter tudo, porque nós, sem darmos por isso, corremos para todo o lado, todos os dias, a todas as horas. E é este aspecto transversal entre a corrida dos corredor e a corrida dos normais, que eu acho que vai ser interessante mixar, se assim se poderá dizer, e que eu, na melhor das minhas capacidades, vou tentar partilhar com todos vós.

Na realidade, o nome Blade Runner inspirou-me, pois em relação à palavra ” Runner”, estamos tratados. Mas a expressão Blade Runner, que à letra poderá querer dizer ” Corredor com espada”, encaixou que nem uma luva nas minhas pretensões. Primeiro, porque os dois nomes, por si só, soam a algo poderoso, com uma vida e personalidade própria. Segundo, porque quando corremos, e quem corre sabe bem o que digo, parece que está literalmente no fio da navalha ou espada…

Quem corre, passa por uma espécie de dicotomia entre camadas de sofrimento e auto-regeneração. Daí o aspecto desafiante e libertador que os corredores sentem. Tornam-se viciados, capazes de tudo, desde que sigam em frente. Muito recentemente acabei de ler um livro do escritor japonês,  Haruki Murakami,  intitulado ” Auto-retrato do escritor enquanto corredor de fundo “. Um escritor/atleta, portanto.  Às páginas tantas, e ainda falando sobre o assunto do sofrimento, o escritor diz que existia um participante nas provas em que ele participava que dizia com frequência: ” A dor é inevitável,mas o sofrimento é uma opção.” E esta frase deixava-o sempre estremecido. Parece-me que chegados a uma certa idade, algo despoleta dentro das mulheres e homens, que os faz procurar algo. Haruki chama-lhe o vazio, ou melhor ” Enquanto corro, vou dizendo a mim mesmo para pensar num rio. Pensa nas nuvens, digo. Mas no fundo não estou a pensar em nada em concreto. Continuo pura e simplesmente a correr nesse confortável vazio que me é tão familiar, no interior do meu nostálgico silêncio. E isso é qualquer coisa de profundamente maravilhoso. Digam o que disserem. “ Recentemente, numa reportagem da televisão que falava da nova tendência – os trails de montanha e as meias-maratonas – que começam a proliferar pelo país fora, um investigador explicou o processo de correr longas distâncias com dados sobre o nosso cérebro. Segundo ele, o cérebro liberta substâncias para inibir o processo de dor que é identificada, e que de certa forma provocam uma sensação viciante para quem corre. Um dia parece-me que posso voltar a desenvolver o tema científico, mas na realidade o que me interessa aqui explanar é que realmente, quando se anda próximo ou ultrapassa os 30 anos de idade, acontece um qualquer fenómeno que provoca esta necessidade quase inevitável de correr…no vazio. Porque razão aparece esta vontade/necessidade de correr por volta dessa idade? O Eduardo Sá, com a sua psicologia, responderá a esta pergunta com o melhor bom senso que lhe é reconhecido. Mas acho que posso lançar aqui o meu primeiro desafio aos leitores – e com isto termino o primeiro texto de Blade Runner – o blogue. Quais as razões, porque haverá certamente mais do que uma, que faz as pessoas começarem a correr? E se quiserem acrescentar, porquê ser sempre por volta dos 30 anos de idade?

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2 thoughts on “BladeRunner – o início

  1. O texto deixou-me a pensar… realmente, porquê começar a correr por volta dos 30 anos? Nunca tinha pensado nisso… Tenho 29 anos e comecei a correr de forma assídua há cerca de 1 ano. Correr faz-me sentir livre, acalma-me e acho que já não consigo chegar ao fim do dia sem pensar: “logo vou correr”. É realmente um vicio! Correr foi a forma que encontrei para me libertar de toda a monotonia do dia-a-dia. Correr dá para pensar e colocar as ideias no lugar, chegar a respostas que necessitamos e que muitas vezes não as conseguimos pois não nos libertamos de todos os problemas e preocupações.

    • Existe uma expressão que os mais antigos dizem com frequência que é: ” Só quem passa por elas é que sabe! “. E realmente só quem começa a correr percebe o real poder em que se transformam as nossas passadas. Porquê aos 30 anos ou por volta dessa idade? Denise, acho que é aquela fase da vida em que tu começas a perceber os códigos mais basilares com que se rege o universo, o teu universo. Já viveste paixões, grandes perdas, rotinas, e precisas dum lugar onde possas estar a arrumar gavetas. A vida actualmente é exageradamente rápida. Não temos tempo para a reflexão e pior do que isso, para a contemplação. As mulheres e os homens têm perdido a capacidade para se comoverem com as coisas mais simples. Essa falta de preenchimento, ocupado pela ilusão do materialismo, provoca-nos desequilibrios imensos. Parece-me que a necessidade desse espaço de reflexão, de arrumar as divisões da casa, de explorar os silencios, é-nos oferecido pela a corrida, que não nos obriga a ir mais depressa ou mais devagar, não nos custa dinheiro, não nos grita ao ouvido, não nos entope a vista com publicidades! Vamos correr para onde nos apetece, sós ou acompanhados, o tempo que quisermos, a distancia que quisermos. Essa liberdade é o nosso equilibrio!

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